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O
que é Poetrix? |
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Poetrix é um poema composto de título e uma estrofe de três
versos (terceto) com um máximo de trinta sílabas métricas. |
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Para mais informações visite: |
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www.movimentopoetrix.tk |
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Gota a gota
as sílabas unem-se e gritam versos, irrompem poetrix
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“A Barca das Gaivotas” |
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Na noite Lado a lado por mero acaso das nossas memórias |
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As Palavras Rompem o silêncio dos caminhos |
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[atrop ad ordiv
on] odergeS |
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Rio |
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do livro “Nas Terras do Sempre” |
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Num modo súbito Há um encanto Que enternece |
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Quase Teus olhos Falam Totalmente |
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Feitiço Com uma troca de olhares desabotoamos o silêncio num sorriso de improviso |
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Intimidade |
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E n a m o r
a d a s As ondas do teu cabelo |
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Nasceu nessa noite ...Liberdade...
Hoje apetece- -me desenhar uma flor
Meus compa- nheiros de jornada,
Homens valoro- sos de
trabalho, de- pois do silêncio da
noite escura, como quem procura uma outra es- trada. Levantaram-se cedo e fizeram aquela
doce madruga- da. Nasceu nessa
noite às três da manhã a Liberdade na aldeia mais
recôndita, na vila mais
insignificante, em toda e qualquer cidade deste nosso
Portugal, em que alguns estavam bem e mui- tos viviam mal. Nasceu nessa
noite às três da manhã a Liberdade. Lembras-te, pai? Estás sentado na
velha cadeira de madeira onde cortaste tantos cabelos a crianças e lhes
fizeste tantas barbas, já em adultos. Nos joelhos repousas o velho bombardino de
filarmonista. Na mão esquerda seguras uma partitura com toda a
ternura da tua mão forte e meiga, como quem
segura um filho, com todo o
cuidado para que não se magoe. Por detrás de ti avisto uma velha talha de
barro onde se guardava a cal, aquela cal com que caiámos paredes onde
projectámos tantos sonhos, em noites de verão, como se fosse a tela
de um cinema, onde se contavam his- tórias de outros tempos.
Histórias da tua aldeia para os lados da ser- ra, de quando eras menino e,
mais tarde, da tua juventude e do amor da tua vida. É claro, também
se contavam histórias da minha infân- cia. Perdão, da nossa
infância, porque também tenho uma irmã e gosto muito dela. Na verdade, nesse tempo con- ta- vam-se muitas históri- as de bruxas e lobi- somens que tanto assus- ta- vam o nosso imaginário, mas, ao mesmo tempo, empolga- vam
e
arregalavam os nos- sos
o-
lhitos de crianças. É ver-
dade, antes de A- bril havia bruxas
mil, lobi-
somens e outros seres
medonhos de as- sus- tar
neste nosso Por- tu- gal
à beira-mar ador- me- cido. E, quan- do não comí-
a- mos a sopa, a mal-
fada- da e inde- sejá- vel cou- ve bran-
ca com feijão e na-
bos, lá vi- nha
a ame-
aça:
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- “Olha o homem do
saco!...” Ou, então, “ ...Olha o cigano que te leva!....” Em último recurso,
havia a colher de pau... Era remédio “santo”, a maior parte das vezes, em
tantos e tantos honrados lares de gente pobre ou mais ou menos remediada. Por seu lado, na escola de
um país de analfabetos, governava a menina dos cinco olhos, “a bruxa
má”, a régua agressora, o terror das
nossas mãos de crianças. Lembras-te, pai? Todos sonhávamos, e ainda sonhamos, com uma vida melhor. Uns emigraram a salto (clandestinamente) ou legais para França, outros para a Alemanha, alguns para o Canadá e a Austrália (como o teu amigo Fernando, lembras-te, que fazia anos no mesmo dia que tu?). Alguns ainda foram para África trabalhar e muitos jovens, obrigados a lutar na guerra colonial, perderam a vida sem saberem porquê. Alguns desertaram e fugiram para França. Eu, mais cedo que tarde, talvez o fizesse também, se não tivesse acontecido Abril nas nossas vidas. Ainda me recordo com mágoa da morte de um jovem da nossa terra, que morreu na guerra de Angola. Pobre, Manel! Não me recordo se era este o nome dele... Na altura, com raiva e sem entender a razão da sua morte, até lhe dediquei um poema que mostrei a uma professora da escola onde estudava, a qual ficou admirada de eu escrever poesia e sobre temas como aquele, estávamos em 1973. Fiquei deveras triste com esta inútil e brutal morte. Ainda guardo na memória aquela canto que passava na rádio de então, “Angola é nossa! Angola é nossa!...” Era “nossa”, de alguns, e os nossos jovens lá iam morrendo aos poucos, como carne para canhão, numa guerra que não era deles. Lembras-te, pai? Quantos rostos cansados de esperar, de vaguear numa vida sem sentido, com tanto sonho adiado ou destruído, como o do jovem que morreu na guerra. Quantas viúvas e órfãos ficaram à sua sorte, já quase sem lágrimas para chorarem? E quantas pessoas sem saberem ler e escrever sobreviviam por todas essas terras do nosso Portugal? Foram tempos difíceis e de memórias amargas! E nós morávamos perto da Estação e eu via passar os comboios e sonhava viajar neles e ser maquinista. Um dia ofereceste-me, pelo Natal, um comboio de plástico no sapatinho. Como eu fiquei feliz!... Deve-te ter custado uns bons tostões. Sonhos e recordações de criança que nos tocam o coração. Agora, tocas o bombardino, que refulge ao sol, parece uma estrela que brilha na minha memória. Talvez toques a “Terra da Fraternidade...” Quem sabe? Quem sabe? Enquanto os teus dedos saltitam pelos pistões do bombardino, a velha oliveira, que está depois de ti, tudo escuta e acena com um ramo mais jovem, confirmando todas as histórias que me contas. Ao som da música, recordando...”dentro de ti, ó cidade...” um arrepio de emoção percorre-me, por inteiro, todo o ser. Olha, pai, até me saiu um poema: Nasceu nessa noite, às três da manhã No ventre
das ruas, a Primavera No trinar de
cada velha guitarra Acordes de
uma nova era Em cada
quarto gelado O amor numa
canção Sem medo de
o fazer No coração
de cada pessoa Em todas as
ruas da cidade A alegria de
viver E nos
cabelos Embranquecidos
Dos poetas A flor da
Liberdade “...Dentro de ti, ó cidade...” Lembras-te, pai? Os sonhos de Abril, o fim
da guerra e dos presos políticos, a Liberdade e o futuro... O futuro... O futuro
pertence aos teus netos e aos filhos deles e por aí fora... A Joana quer ser
pianista e o Pedro, arquitecto. A música e a arquitectura de novos sonhos em
liberdade. Eles poderão não saber escolher, mas têm a liberdade que tu não
tiveste, que nós não tivemos antes de Abril. Mas, um belo dia também
tivemos a liberdade de escolhermos e de plantarmos uma árvore no nosso
quintal. Eu estimo-a e, quando posso, trato dela, rego-a, adubo-a e corto-lhe
os ramos secos, para que ganhe força e cresça. Em troca ela dá-nos sombra e
fruta e refresca-nos nos dias quentes de Verão. Quando me esqueço de a
tratar, ela enfraquece e fica em risco.
A liberdade é como uma árvore. Temos de cuidar dela todos os dias, com
muito amor e sabedoria. Precisamos saber escutá-la com todos os sentidos e em
todos os sentidos e falar com ela com carinho, para que cresça, se fortaleça
e dê frutos que nos alimentem a imaginação e a capacidade de sonhar com um
futuro que satisfaça a todos. Obrigado, pai, pela árvore
que plantámos e pelo filme que fizemos juntos. A cassete chegou ao fim no
vídeo. Teu filho que te recorda
com carinho e saudade, por teres partido num dia de Abril. Saudades, pai... MB |
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MARTINHO BRANCO
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